quarta-feira, 8 de maio de 2013

Danielly Ferreia Dias - Roteiro de Aula


Roteiro de Aula

Nome: Danielly Ferreira Dias

Disciplina: Processos de Industrialização de Alimentos e Bebidas
Aula nº: 9
Assunto: Fermentando com as leveduras em um alambique

Objetivos:
Compreender, na prática, o processo da fermentação alcoólica bem como da sua aplicação na indústria de bebidas alcoólicas.

Material:
 Para o manejo de estudantes, da instituição de ensino até o alambique, onde será realizada a visita técnica, será disponibilizado um ônibus da instituição de ensino para o transporte. Também será obrigatória a utilização de vestimentas adequadas e jalecos durante as práticas.

Atividades:
1 – (Duração 2 hora e 30  minutos):
Na aula anterior (nº  7), que se caracterizou como expositiva dialogada (apresentação em Power-Point visualizada pelo data show). Contudo nesta aula daremos continuidade aos conceitos e processos de fermentação na indústria alimentos, porém desta vez permanecendo em estudo a fermentação alcoólica e acética, com vistas as suas aplicações para a indústria de bebidas.
Portanto, para melhor compreender o processo de fermentação alcoólica e acética, parte desta aula, assim como na aula nº , também esta se realizará prática em uma visita técnica, pois nesta visitaremos um alambique na cidade de Ituiutaba-MG, na qual os alunos conhecerão a importância das leveduras e bactérias na produção da bebida alcoólica destilada, bem como todo o processo de fabricação (fermentação, filtração, destilação, purificação, etc) desde a chegada da matéria-prima (cana-de-açúcar) e, inclusive os cuidados/controles durante o processamento e pós envase para não transformar a fermentação alcoólica em acética por acetobactérias, que sobre atividade enzimática  e na presença de O2 (processo aeróbico) converte o álcool em vinho. Esta atividade compreenderá uma duração de 2 hora e 30 minutos. Durante a trajetória, os estudantes serão re-orientados pelo professor(a) da disciplina quanto a algumas normatizações, já pré-estabelecidas na última aula, (comportamento, vestimentas, etc), sendo asciduidamente acompanhados pelo mesmo(a) durante a visita.

2 – (Duração 50 minutos):
A segunda atividade se caracterizará por uma aula prática pós visita técnica, a ser realizada no laboratório de Microbiologia da instituição de ensino. Após retornarem da visita técnica, os alunos serão convidados para realizarem um experimento de fermentação alcoólica (veja anexo I), a qual terá uma duração de 50 minutos. Nesta, eles poderão esclarecer as suas principais dúvidas quanto a fermentação alcoólica e acética bem como das aplicações na indústria de bebidas. Portanto, para que finalize o estudo, os alunos deverão realizar um relatório como atividade de casa sintetizando/ relacionando o que vivenciaram na visita ao alambique com o experimento de laboratório focando a relevância das leveduras e bactérias para a garantia e qualidade na produção de bebidas alcoólicas, correlacionando também o experimento laboratorial já realizado para o estudo da fermentação lática.

Justificativas
O planejamento de aulas práticas no ensino superior é de fundamental importância para que se atinja êxito no processo de ensino-aprendizagem. No entanto, vale ressaltar que “ensino e aprendizagem são dois processos distintos e que o estudante constrói o seu próprio conhecimento (...), pois o processo de aprendizagem depende fundamentalmente do conhecimento prévio, sobre o qual se construirá o novo conhecimento” (PRIGOL E GIANNOTTI, 2008), constituindo então, a aprendizagem significativa. Desta forma, pode-se dizer que o resultado final do processo de aprendizagem é individual e diferente.
Neste ínterim, a prática não deve ser desvinculada do processo de ensino-aprendizagem, sendo importante para a construção do conhecimento. A prática é uma produção da ciência, ou seja, uma validação da teoria. E quem faz ciência sabe que o conhecimento/teorias surgem de observações, de repetições de experiências ou de problemas práticos. Além disso, durante as aulas práticas têm-se a oportunidade de uma maior interação e contato em um ambiente com um caráter mais informal do que o ambiente da sala de aula.
A articulação entre a teoria e a prática pode ser ao estudante uma motivação para a disciplina tornando a aula interessante, fazendo reconhecer a importância dela para a sua vida futura (PRIGOL E GIANNOTTI, 2008). Para PRIGOL E GIANNOTTI (2008) “as novas metodologias e modalidades de educação devem fazer uma relação entre o que é aprendido na sala de aula com aquilo que o aluno vivencia em seu dia a dia”.
Na disciplina Processos de Industrialização de Alimentos e Bebidas a prática não deve ser desvinculada da teoria. Pois, reconhece-se que a compreensão dos processos de industrialização por parte dos alunos na construção do pensamento científico, atesta o caráter investigativo das aulas práticas.
A prática torna-se, então, uma reflexão no “processo de interação e na assimilação e desenvolvimento de conceitos científicos, além de permitir que os estudantes aprendam como abordar objetivamente o seu mundo e como desenvolver soluções para problemas complexos” (LUNETTA, 1991 apud PRIGOL E GIANNOTTI, 2008).

REFERÊNCIAS
PRIGOL, S.; GIANNOTTI, S. M. A importância da utilização de práticas no processo de ensino-aprendizagem de ciências naturais enfocando a morfologia da flor. 1º Simpósio Nacional de Educação – XX Semana de Pedagogia, Unioeste – Cascavél – PR, 2008.


ANEXO I – AULA PRÁTICA: IDENTIFICAÇÃO DE MICRORGANISMOS FERMENTADORES DA BEBIDA LÁCTEA “KEFIR”

Introdução
O etanol é o principal produto de fermentação da glicose, servindo não só para uso recreacional, nas chamadas bebidas alcoólicas, mas também como matéria-prima fundamental da indústria de transformações químicas, material de uso hospitalar e como biocombustível.
A fermentação é um processo anaeróbico de produção de energia realizado por diversos microorganismos. No caso da fermentação alcoólica, a glicose é convertida em piruvato na glicólise. Em seguida, o piruvato é descarboxilado, formando acetaldeído, que é reduzido pelo NADH, gerando etanol:
Esse processo gera o etanol presente em bebidas alcoólicas como o vinho e a cerveja. Esse mesmo etanol é convertido, por bactérias dos gêneros Acetobacter e Gluconobacter, em ácido acético, num processo aeróbico (na presença de O2, como depois de abrir a garrafa de vinho).
Outro processo de fermentação muito conhecido é o da fermentação láctica, que leva à produção de derivados lácteos. Nesse processo anaeróbico, como já estudo na aula anterior, o ácido pirúvico é reduzido pelo NADH em ácido lático.

Objetivo
Transformação de glicose em etanol a partir da fermentação alcoólica por processo anaeróbio.

Procedimento experimental
Reagentes: Caldo de cana (250 mL), fermento biológico para pão (5,0 g) e acúcar.
Equipamentos: Balança, proveta de 100 mL, densímetro, erlenmeyer de 250 mL, sistema
de destilação fracionada (balões de 250 mL e 25 mL), Funil de Buchner e Kitassato.

Procedimento:
Determinação da densidade do caldo de cana.
Colocar 100 mL de caldo de cana numa proveta, e com o auxílio de um densímetro determinar a densidade. Com o auxílio da Tabela de Stammer (em anexo), fazer a correção da densidade de modo a se obter 14° Brix (a faixa ótima de graus Brix é entre 12 e 14). Se estiver acima deste valor, fazer a diluição, caso esteja abaixo, adicionar sacarose (açúcar) de modo a atingir a densidade desejada.

Fermentação
Após a correção da densidade, colocar em erlenmeyer 200 mL de caldo e adicionar o fermento (numa relação de 2,5 g de fermento para cada 100 mL de caldo). Vedar o erlenmeyer com algodão de modo a permitir que o gás carbônico produzido possa ser liberado, agitar até diluir o fermento e deixar fermentando por 24 hs. Colocar o erlenmeyer ao abrigo da luz a temperatura ambiente para que a fermentação ocorra mais rapidamente.

Filtração
O caldo fermentado deverá ser filtrado utilizando-se um sistema a vácuo para a retirada de partículas sólidas e impurezas. Se não conseguir filtrar, centrifugar a amostra a 3500 rpm durante 5 minutos. Após a filtração / centrifugação, medir o volume de amostra e transferir para o balão de destilação.

Destilação fracionada
Montar um sistema de destilação fracionada e colocar o material a ser destilado em balão de 250 mL de capacidade. Na extremidade do sistema de destilação deve ser acoplado um balão de 25 mL. Ligar a manta de aquecimento, a água do condensador e evitar que a temperatura ultrapasse 85°C. Medir o volume coletado e anotar o resultado. Calcular o rendimento.

Questionário
1. Por que foi escolhido um sistema de destilação fracionada ao invés de destilação simples?
2. Quais as reações que ocorrem durante o processo de fermentação?
3. Para que adicionar sacarose na correção da densidade?
4. Que outras matérias-primas são utilizadas pela indústria para fermentar açúcar a álcool?

REFERÊNCIAS
ECBS/UNIRIO. Fermentação alcoólica. Química Aplicada – Departamento de Ciências Naturais, ECBS/UNIRIO. Disponível em: http://www.unirio.br/laqam/Quimica_aplicada/pratica5.pdf. Acesso em: 03/04/2013.

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